terça-feira, junho 19, 2007

O que significa 'ser conservador'? (DMS)

A Courrier Internacional desta semana tem como destaque o debate Esquerda-Direita. A revista começar por questionar esta dicotomia, algo que não abdico. Por muito redutor que possa parecer há pilares fundamentais que caracterizam, que identificam a Esquerda e a Direita. É verdade que mudam-se os tempos mas também é verdade que há vontades que perduram. Por toda a Europa os conservadores parecem ser o rosto da reforma e da ruptura. Tomando de empréstimo figuras, métodos e discursos que a priori dir-se-iam que se tratava dos progressistas.

Bom, Sarkozy e Angela Merkel apresentaram-se ao eleitorado como conservadores. O programa de ambos caracterizou-se pelas reformas que propunham. Impopulares, necessárias, rumo ao futuro. Sob o lema de preservar no país o que permite seguir em frente e mudar o que impede de o fazer. Reagan, Thatcher, Aznar, a lista dos conservadores modernos é numerosa, assim como a dos resultados alcançados. Agitar as instituições, eliminar as reminiscências políticas obsoletas, conquistar o futuro libertando-se das cadeias do passado — esta é a palavra de ordem dos novos conservadores.

São os conservadores que sopram hoje o dinamismo e assumem com muita seriedade, à sua maneira, a defesa da liberdade individual dos trabalhadores e dos empresários e a liberdade do mercado. São igualmente os conservadores a conseguir dar vida aos pretensos rouxinóis moribundos da família, religião e pátria.

Como escreve Andreas Zielcke no Suddeutsche Zeitungé é como se, do ponto de vista conservador, se reunissem duas mitologias: enquanto os sociais-democratas tradicionais se agarram ao Estado-providência do passado e, voltando costas ao futuro, são impulsionados para a frente pelo turbilhão da História capitalista, os novos conservadores europeus assumiram a dupla face de Jano.

Na Antiguidade de Roma, Jano era o guardião das entradas e saídas, do passado e do futuro. Hoje, o espírito do Jano neoconservador olha para trás, para o apogeu da sociedade burguesa, para retomar aí as virtudes fundamentais — «a autoridade, a moral, o respeito, o mérito e o orgulho nacional», como diz Sarkozy —, e paralelamente lançar o olhar sobre um futuro cujo motor é a economia.

Apesar de algumas correntes de opinião afirmarem ser contraditório, acontece que a autoridade, a identidade nacional, o respeito e a ordem, mas também a família e a vida, são factores de estabilidade essenciais, graças aos quais é possível ter-se uma economia justa e competitiva.

A liberdade individual está também no coração da ideologia conservadora. É com a liberdade que as pessoas se envolvem e se dedicam. A liberdade é o valor supremo para a realização da vontade de qualquer indivíduo. A liberdade consegue, assim, mobilizar o homem. É nesta força de mobilização, eminentemente cidadã, das energias e da criatividade, que reside o fundamento legítimo do novo conservadorismo. Esta noção de liberdade defendida pelos conservadores, em associação estreita com a concorrência — que liberta as energias sociais, abre os espíritos para o mundo, vai buscar a riqueza à invenção e leva a um espírito de tolerância pragmática.

É assim o novo conservadorismo. Livre, exigente, competitivo e moderno.

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Muito bom este post. Parabéns Diogo! Estou sempre a aprender contigo. Sempre em grande :D!

Beijo enorme,

Joana Azevedo

10:55 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Boa Diogo!

Gosto especialmente do teu Blog quando escreves textos da tua autoria!
Este está bastante bom.

E agora, os meus comentários:

Eu à Liberdade acrescentaria a responsabilidade - tal como aos direitos acrescentaria os deveres.
Uma coisa sem a outra perderia o sentido.

Já agora, gostaria que me explicasses o que é o "espírito de tolerância pragmática"?

Finalmente, confesso que a palavra "moderno" não me diz nada: não acredito no mito do progresso irreversível.

Fico à espera dos teus comentários! Estás a ver como vale a pena escreveres artigos originais? já temos tema de conversa para os próximos dias :)

Um abraço!
Francisco Brito

11:47 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Muito bom mesmo :-)! Sempre a surpreender. Enquanto não chegares lá acima não páras. Vais ver que o facto de ires estudar para os EUA vai abrir-te muito mais essa grande cabeça. Tu vais ser aquilo que Portugal precisa.
Grande abraço aqui do amigo João da UCP!

P.S.: Tens que escrever mais!!!

12:23 da manhã  
Anonymous Helena Pinto said...

És grande, muito grande! ;)

Mas ainda não me convenceste a 'ser conservadora'. Temos que conversar um dia destes.

Beijo

12:30 da manhã  
Blogger Diogo Mendes Silva said...

Vocês exageram nos elogios, como sempre!

Amigo Francisco, respondendo à tua questão, quando falo de um "espírito de tolerância pragmática" refiro-me à facilidade em tolerar um possível erro. A economia não pára porque um sujeito errou. A globalização não o permite. É nesse sentido que utilizo o termo "pragmática". No sentido de prático, simples. Errou mas temos que continuar.

Quanto à responsabilidade, sem dúvida que para atingirmos a liberdade no seu estadp mais nobre, mais real é necessária a responsabilidade.

Um abraço Francisco!

Helena! Tu ainda vais ser conservadora. Já mexi contigo e vou mexer mais. Como é que uma gestora no BES pode ser socialista:P?

Beijo

11:51 da manhã  
Blogger BlogMinho said...

Vem aí o BlogMinho. Não deixes de participar!

3:29 da manhã  

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